HIPERTROFIA: com o tempo a síntese proteica diminui, isso significa que os ganhos acabaram?

A hipertrofia acontece através do aumento do tamanho das fibras musculares. Como grande parte das fibras musculares é constituida por proteínas isso significa adicionar mais proteínas às fibras musculares.

Para que essas proteínas possam ser adicionadas elas precisam ser produzidas (sintetizadas). Quando analisamos a resposta ao treinamento é exatamento isso que observamos, ocorre um aumento na síntese de proteinas, acima dos níveis normalmente observados em repouso, com o passar do tempo os músculos aumentam de tamanho.

Agora, é natural se pensar, então, quanto mais síntese proteica maior é a hipertrofia? Não.

Na verdade a síntese de proteinas de forma aguda, ou seja, logo após o treino não é um bom preditor da hipertrofia a longo prazo do treinamento, como foi mostrado no estudo de Mitchel et al., 2014.

Outro ponto importante é que a síntese de proteinas tende a diminuir com o passar do tempo de treino, onde individuos treinados apresentam menor síntese proteica após o treinamento quando comparado a indivíduos iniciantes.

Podemos interpretar essa informação de duas maneiras de acordo com o que temos em alguns estudos.

Uma das maneiras é assumir que essa redução na síntese de proteinas é responsável pela dificuldade de conseguir mais hipertrofia quando se é treinado, através de uma redução na sinalização intracelular ligada com o aumento na síntese proteica ( Ato et al., 2019).

Outra maneira é enxergar essa diminuição como parte de um processo natural de adaptação do exercício.

Quando se inicia o treinamento, principalmente um treinamento com sobrecarga e que envolva contrações excêntricas, como a musculação, as sessões iniciais causam dano muscular significativo. Para reparar esse dano é necessário que ocorra aumento na síntese de proteinas, pois, as estruturas danificadas são compostas de proteínas.

O estudo de Damas et al., mostrou que no início das sessões de treinamento existe um aumento desproporcional entre síntese proteica e hipertrofia, onde um grande aumento da síntese proteica não corresponde a hipertrofia. Mas, por quê?

Nesse mesmo período se observa grande quantidade de edema e alterações morfológicas nas estruturas das miofibrilas, indicando dano muscular. Já nos periodos mais tardios de treinamento a síntese proteica se relaciona com a hipertrofia e nesse momento nota-se uma diminuição do dano muscular.

Os pesquisadores concluiram que esses aumentos iniciais na síntese proteica seriam direcionados em grande parte para a regeneração muscular e depois que o dano é atenuado a síntese proteica corresponde a hipertrofia. Em um período a necessidade de regeneração em decorrência do dano é muito alta e a síntese proteica também, mas a hipertrofia não corresponde a essa alta síntese proteica. No momento mais tardio o dano e a necessidade de regeneração diminuem e a síntese proteica se relaciona à hipertrofia.

Lembrando que a atenuação do dano é algo natural e ele irá diminuir com o passar do tempo em decorrência de algo que chamamos do efeito do estímulo repetido (algo que já comentamos por aqui).

Dessa maneira, talvez seja natural que a síntese proteica diminua, pois, o dano muscular diminui e a necessidade de reparar em grande magnitude o tecido danificado também reduzirá.  Esta redução pode, em partes, indicar uma maior dificuldade de ganhar massa muscular após um período de tempo, entretanto, como a redução da síntese de proteínas de maneira crônica em resposta ao treinamento parece ser uma resposta adaptativa natural, esse não me parece ser o melhor argumento para embasar esse raciocínio.