HIPERTROFIA: amplitude parcial ou amplitude completa?

Por mais que a resposta para esse tipo de pergunta pareça óbvia a discussão é sempre mais profunda do que apontar uma das duas situações como melhor para a hipertrofia.

Você possivelmente já ouviu falar em algum estudo que mostrou resultados superiores para a hipertrofia quando comparou um exercício realizado em uma amplitude maior (completa) e com amplitude parcial para a condição de amplitude completa (MCMAHON et al., 2014).

O grande problema é que para que essa comparação possa ser realizada é necessário fazer alguns ajustes na distribuição das variáveis entre os protocolos.

Como um movimento com amplitude parcial envolve menos tempo sob tensão é necessário equiparar essa diminuição com um maior número de repetições, caso o percentual de carga adotado seja o mesmo para ambas as situações.

Outro fator importante é que quando um movimento é realizado em amplitude parcial normalmente é possível adicionar mais carga, e isso também deve ser levado em conta.

Estudos que comparam amplitude completa vs repetições parciais e equacionam essas variáveis mostram que não existem diferenças para a hipertrofia muscular considerando o músculo todo, ou seja, a área se secção transversa (VALAMATOS et al., 2018).

Contudo, por mais que o crescimento muscular como um todo não seja diferente, a localização e o tipo da hipertrofia irão variar de acordo com a amplitude adotada e a magnitude do stress imposto nos diferentes comprimentos musculares.

Com diferentes amplitudes de movimento, diferentes partes do músculo serão impostas a sobrecarga mecânica em diferentes proporções o que fará com que a região com maior estímulo apresente maior hipertrofia. Além disso a posição em que o músculo se encontra durante aquela amplitude faz com que as contribuições de elementos ativos e passivos sejam diferentes o que tem potencial para modificar o tipo de adaptação.

Caso a amplitude de movimento mantenha o músculo mais encurtado os aumentos no ângulo de penação parecem ser as adaptações preferenciais. Já se o músculo estiver em uma posição alongada durante a amplitude de movimento as adaptações preferenciais parecem ser de aumento do comprimento do fascículo.

De maneira geral, treinos com maiores amplitudes de movimento irão envolver um alongamento maior do músculo o que tende a favorecer a hipertrofia distal (aumento no comprimento do fascículo), já treinos com amplitude de movimento reduzida  devem ser analisados de acordo com a posição que o músculo é mantido, caso a amplitude envolva o músculo alongado, os aumentos serão similares ao do treino com amplitude completa, caso o músculo fique em posição encurtada durante aquela amplitude as adaptações envolverão uma hipertrofia proximal (aumento do ângulo de penação) (Newmire eWilloughby, 2018).

Desta maneira, não é possível responder qual é a melhor, pois, essa resposta irá depender do objetivo. Em alguns casos o uso de repetições parciais pode ser interessante, como no caso da reabilitação de lesão ou incapacidade de se atingir a amplitude completa.